terça-feira, 20 de abril de 2010
"O melhor jeito de ir embora é ficando." (Jiho Seisen)
Not Going Anywhere
(Keren Ann)
This is why I always wonder
I'm a pond full of regrets
I always try to not remember rather than forget
This is why I always whisper
When vagabonds are passing by
I tend to keep myself away from their goodbyes
Tide will rise and fall along the bay
and I'm not going anywhere
I'm not going anywhere
People come and go and walk away
but I'm not going anywhere
I'm not going anywhere
This is why I always whisper
I'm a river with a spell
I like to hear but not to listen,
I like to say but not to tell
This is why I always wonder
There's nothing new under the sun
I won't go anywhere so give my love to everyone
Tide will rise and fall along the bay
and I'm not going anywhere
I'm not going anywhere
People come and go and walk away
but I'm not going anywhere
I'm not going anywhere
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Como treinar seu dragão
Uma fábula singela e bem humorada sobre vikings e dragões e, em última instância, sobre o funcionamento da mente humana. Esta animação muito bem feita em 3D é um precioso ensinamento de como podemos treinar nossa mente com coragem, compaixão e sabedoria e nos tornarmos amigos de nossas emoções perturbadoras, aceitando-as, educando-as e aprendendo com elas. Somente nos tornando um com o dragão que habita em nós poderemos voar livremente pelo céu acima das nuvens que encobrem nossa verdadeira natureza. Divirtam-se!
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Tristeza sem palavras, pelo Bodhisattva do Violão
Tristeza
(Haroldo Lobo / Niltinho)
Tristeza
Por favor vá embora
Minha alma que chora
Está vendo o meu fim
Fez do meu coração a sua moradia
Já é demais o meu penar
Quero voltar àquela vida de alegria
Quero de novo cantar
segunda-feira, 8 de março de 2010
"Quero levar o meu canto amigo a qualquer amigo que precisar..."
Eu Quero Apenas
Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Eu quero apenas olhar os campos,
Eu quero apenas cantar meu canto,
Eu só não quero cantar sozinho,
Eu quero um coro de passarinho,
Quero levar o meu canto amigo,
A qualquer amigo que precisar.
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero apenas um vento forte,
Levar meu barco no rumo norte
E no caminho o que eu pescar
Quero dividir quando lá chegar
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero crer na paz do futuro,
Eu quero ter um quintal sem muro
Quero meu filho pisando firme,
Cantando alto, sorrindo livre
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero amor decidindo a vida,
Sentir a força da mão amiga
O meu irmão com sorriso aberto,
Se ele chorar quero estar por perto
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Venha comigo olhar os campos,
Cante comigo também meu canto
Eu só não quero cantar sozinho,
Eu quero um coro de passarinhos
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
segunda-feira, 1 de março de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Além da forma e do vazio
No dojo é possível costurar um kesa, ajudado por outros praticantes. O kesa é o manto feito de retalhos encontrado em todas as tradições budistas.
O uso do kesa e a tradição de sua costura exata remonta às raízes do budismo e têm sido transmitidos por milhares de anos.
No Zen, o kesa é usualmente feito de material simples nas cores preta ou marrom. Entretanto, este colorido exemplar foi feito à mão pelo Mestre Kodo Sawaki (1880-1965) e presenteado a seu discípulo, Mestre Deishimaru. É usado até hoje em ocasiões cerimoniais no Templo Zen La Gendronière.
(tradução adaptada de: http://www.zen-berlin.org/en/dojo/)
O grande manto da libertação,
verdadeiro campo além da forma e do vazio.
Vestimos agora o ensinamento daquele que é o que é,
para o nosso bem e de todos os seres senscientes.
(Takkesage, o verso do kesa, recitado no início da cerimônia matinal)
verdadeiro campo além da forma e do vazio.
Vestimos agora o ensinamento daquele que é o que é,
para o nosso bem e de todos os seres senscientes.
(Takkesage, o verso do kesa, recitado no início da cerimônia matinal)
Reza a tradição que o kesa seja feito à mão pelo próprio praticante. É parte do processo de ordenação, um treinamento de concentração e atenção plena onde procuramos manter a mente pura e livre.
Entretanto, quando recebi os preceitos e fiz os votos, junto com outros praticantes, não tinha essa informação. Eu era apenas uma praticante novata, um pouco assustada com a possibilidade de me tornar uma monja zen. Foi tudo muito rápido! Um dia, muito emocionada com um teishô (palestra sobre o Dharma) dado por meu professor, Monge Alcio Eido Soho, disse a ele que um dia gostaria de me tornar monja. Ele, sorridente, me respondeu: "Que bom! Mestre Tokuda chega daqui a um mês, vou falar com ele.". Fiquei totalmente atônita e com um sorriso abobalhado, incapaz de dizer qualquer coisa. Era um misto de felicidade e apreensão. Depois pedi que ele me explicasse no que consistia essa ordenação, quais os meus compromissos, etc. e fiquei tranquila, pois percebi que esse compromisso com Buda, Dharma e Sangha poderia fortalecer minha prática espiritual. Eu estava muito feliz por ter conhecido essa prática, era como se eu tivesse encontrado meu lugar no mundo depois de muito vagar.
Logo em seguida, ele me disse pra pedir a orientação da Monja Telma Jiho Seisen para fazer meu kesa. Tínhamos cerca de um mês para prepará-lo! Ela, sabiamente, preparou uma oficina no Templo Zen Nonin, com os praticantes que iriam ser ordenados, inclusive eu. Nos orientou a cortar e costurar as peças do kesa, à máquina, pois naquele curtíssimo espaço de tempo não conseguiríamos fazê-lo à mão. Nos nossos encontros ela ia ensinando e tirando nossas dúvidas, com muita paciência. Depois levávamos as peças pra terminar em casa. Eu nunca tinha "pilotado" uma máquina de costura! Pedi a máquina de minha mãe emprestada e ela foi nossa "assessora técnica", pois a máquina tinha alguns macetes que só ela entendia.
Fizemos tudo em três semanas e ao final da oficina, surpresa! Mestre Tokuda apareceu em pessoa na minha casa para aprovar o kesa de cada um de nós! Uma semana depois recebemos os preceitos e fizemos nossos votos no mosteiro de Eisho-Ji, em Pirenópolis-GO, numa cerimônia belíssima. Foi o momento mais emocionante de minha vida!
Depois tivemos que fazer também o rakusu (uma espécie de miniatura do kesa que usamos pendurado no pescoço), também às pressas, pois tínhamos que enviá-lo para Mestre Tokuda escrever nossos nomes de Dharma no verso antes de voltar para o Japão. Mais uma vez tivemos a ajuda da Monja Telma e concluímos quase tudo em uma noite. Algumas peças eu fiz à mão, como os envelopes do kesa e do rakusu e, posteriormente o zagu (pano de prostrações).
Foi um processo mágico, no qual tive que lidar com todas as minhas limitações e imperfeições. Ver o meu kesa pronto despertou em mim uma felicidade que eu nunca tinha experimentado. Sou absolutamente grata à Monja Telma e à minha mãe, Maria José, que me ajudaram nesse processo.
Quase um ano depois fiquei sabendo, através de outros praticantes, que o correto seria fazer o manto à mão. Fiquei um pouco preocupada, pois já estava perto da minha ordenação monástica e eu não teria tempo de fazer outro manto, muito menos à mão. Pensei: "Será que o meu manto não vale? Deu tanto trabalho pra fazer e tanta alegria quando ficou pronto!". Conversei com a Monja Telma sobre isso algumas vezes e ela sempre me tranquilizava e dizia que eu devia honrar o meu manto, não importava como ele tinha sido feito.
Quando fui ordenada, Mestre Tokuda pegou meu manto em suas mãos, observou-o detalhadamente e disse que estava muito bem feito. Fiquei muito feliz, mas ainda me incomodava o fato de não ter sido feito à mão, segundo as regras de costura zen. Era meu orgulho e meu apego à forma se manifestando como perfeccionismo. Alguns dias depois da ordenação, Monja Telma perguntou ao Mestre Tokuda sobre essa questão de o manto ter sido feito à máquina, se isso era incorreto, ao que ele respondeu: "Não tem problema. No tempo de Mestre Dogen não tinha máquina, né?".
Que bom que meu manto "vale" do jeitinho que foi feito! Amo cada uma de suas imperfeições! Agora que sei que posso continuar usando-o fico até mais tranquila e mais motivada ainda para fazer outro manto à mão, pois não posso perder essa preciosa oportunidade de prática. Fazer nosso próprio manto, seja como for, é criar nosso campo de prática. É como o zazen, uma prática além da forma e do vazio.
Gasshô.
Que bom que meu manto "vale" do jeitinho que foi feito! Amo cada uma de suas imperfeições! Agora que sei que posso continuar usando-o fico até mais tranquila e mais motivada ainda para fazer outro manto à mão, pois não posso perder essa preciosa oportunidade de prática. Fazer nosso próprio manto, seja como for, é criar nosso campo de prática. É como o zazen, uma prática além da forma e do vazio.
Gasshô.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
35 segundos e 4 milagres
Compartilho o relato emocionante de Daniela Bercovitch, minha amiga, que estava em Porto Príncipe no dia 12 de janeiro de 2010. Ela é diretora adjunta do Viva Rio no Haiti. Postei aqui apenas o começo de seu emocionante relato. Para ler a reportagem na íntegra acesse:
Daniela Berkovitch, coordenadora adjunta do Viva Rio no Haiti, está em Porto Príncipe há dois anos, onde administra os trabalhos na ONG de desenvolvimento social. Na última foto que enviou ao Rio antes do terremoto, ela estava rodeada de mudas prestes a serem plantadas na campanha Bel Air verde, uma campanha que pedia uma Bel Air com mais plantas, e também com o nível de segurança aberto para o livre trânsito. Bel Air caminhava para a paz. O terremoto chegou e atingiu, como disse a imprensa internacional, a todos, os ricos, os pobres, os locais, os visitantes. Entre eles a casa dessa brasileira corajosa que não é marinheira de primeira viagem, trabalhou como auxiliar de uma equipe de antropologia forense na Bósnia, e conhecia o Haiti há anos, tinha ido ao páis como observadora internacional de direitos humanos para a ONU e OEA entre 93 e 96. “Muitos dos meus colegas morreram no terremoto”, disse.
Daniela mora no bairro de classe media Petion Ville com suas duas filhas pequenas, o ex-marido e pai de suas filhas mora no Peru, e seu companheiro estava de viagem em Miami na hora do terremoto. Ela relata a seguir a grande sorte que teve de ter uma casa que resistiu a violência do terremoto, num relato apaixonado, pessoal, presente e direto, sobre aqueles segundos intermináveis que mudaram a história do Haiti.
35 segundos
Nesse dia recebemos os dentistas canadenses em Kay Nou, a casa do Viva Rio em Bel Air, bairro de Porto Príncipe. Estávamos super entusiasmadas Rosiane e eu com as possibilidades: 500 atendimentos a adultos e crianças e uma semana, incluindo cirurgia e reparos estéticos. Eles visitaram Kay Nou e adoraram. Ficamos de ver juntos o financiamento e eles voltariam em junho antes das férias escolares.
Eu estava com uma gripe nojenta, espirrando e tossindo sem parar e resolvi passar e buscar o hemograma que tinha feito na véspera. Na clinica vi que exame indicava infecção, provavelmente sinusite. Esperei duas horas pelo médico e nada. Resolvi deixar o meu telefone e o resultado com a secretaria e subi pra casa para descansar e assinar os mais de 600 recibos de pagamento dos salários das equipes de limpeza que trabalham para o projeto do RVC (Redução violência comunitária) da Minustah.
De subida pelo Canapé Vert em direção a Petion Ville, cruzei com minha amiga de muitos anos, Andrea Loi, chilena que descia em direção oposta, com certeza a caminho da reunião com Annabi, Da Costa e delegação Chinesa com quem tinham uma reunião no edifício Christopher, a sede da ONU que caiu horas depois matando a todos os participantes. Andrea com seus lindos cachos louros, dirigia falando ao telefone e sorrindo. Sei que ela estava muito feliz esse dia.
Em casa assinando e tomando sopa, o médico me liga dizendo que deveria voltar no dia seguinte para fazer uma radiografia dos seios da face e ser medicada. Não deu tempo de assinar mais de 50 recibos e deu a hora de buscar as meninas na escola que saiam às 16:15. Entrando no carro me pediram como sempre que fossemos comer uma pizza e um sorvete no restaurante Fior di Latte. ‘Negativo, mamãe tá muito ruim, e Maite tem que estudar’. Dito e feito chegando em casa, tomei um banho quente, botei pijama, meias (é inverno no Haiti e minha casa fica no alto da montanha), deitei e fiquei conversando com a Maite enquanto Sofia tomava banho assistida pela Kedna, nossa querida e carinhosa babá.
Primeiro milagre:
Um pouco antes das 17:00h senti tudo tremer e não entendi que não era a espoleta da Maite nem a minha cabeça que já girava por causa da congestão. Mas segundos depois Maite tinha saltado da cama e me perguntava mãe o que é isso? Eu já tinha vivido uma experiência muito leve em Lima e soube que era um forte tremor de terra. Nos levantamos, puxei a Maite para debaixo do alizar da porta e gritei pela Sofia. Kedna sai correndo do banheiro com Sofia toda molhada e nua no colo, que chorava desesperadamente gritando: mãe, quem tá fazendo isso? Manda parar! Manda parar!
Pânico. A sensação era de estar surfando em uma balsa durante um maremoto, ou de estar na mão de um gigante que balança a mão. Na verdade é indescritível a sensação. O chão balançava em todos os sentidos, forte... tínhamos que nos segurar no alizar pra não cair. E as meninas gritavam. Kedna para meu desespero estava pálida. E eu dizia, calma, vai parar, vai parar!
Dizem que foram 35 segundos e pareciam intermináveis.
[...continua...]
[...continua...]
http://www.vivario.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1850&sid=22
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