domingo, 8 de maio de 2011

Mãe é mar...

Mares, não maré, água e terra.
Mãe é mar,
Mares, não maré, água e terra.
Mar, amar,
Pra saber da árvore com galhos pra quebrar
Em secas folhas ao chão,
Secos e duros gravetos,
Em lenha pro fogo,
Que cozinha esses anos todos
A grande panela do mundo.

Mas mar é mar,
Correndo tranquilo pela terra
Como o som das águas dizendo
Que mãe só não pode entrar nessa,
muito pelo contrário,
É sofrer e chorar como Maria,
Sorrir e cantar como Bahia
E o menino solto como o dia!

E aí...
Mãe pode ter e ser bebê
E até pode ser baby também!

E até pode ser baby também
E até pode ser baby também
E até pode ser baby também
E até pode ser baby também...

(Sorrir e cantar como Bahia - Galvão / Moraes Moreira)


sexta-feira, 4 de março de 2011

Embaixo do seu pé!

"[...] Olha, sempre tem soluções. E essa solução não está longe. Está embaixo do seu pé. Olha onde você está. Por que você é assim? A resposta está toda em cima disto e a resposta é sempre maravilhosa. A força do zen budismo é transformar aquelas situações terríveis em uma coisa maravilhosa. Sempre tem isso. Só lembrar isso já é uma coisa. Aproveite essas situações terríveis." (Eikyu Ryotan Roshi, nosso querido Mestre Tokuda)
Foto: Pés de Mestre Tokuda, Telma, Valeria e Alcio. Tirada por Isabella Bozano em Yakushi-In, Alto da Boa Vista, Rio de Janeiro, RJ.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Natural Perfeição...














... de todas as coisas!

(Foto:
Valeria Sattamini - trilha para as Cachoeiras dos Dragões, Mosteiro de Eisho-Ji, Pirenópolis - GO)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

(Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond)

sábado, 6 de novembro de 2010

Amor Zen, Amor de Principiante

Absolute Beginners
David Bowie

I've nothing much to offer
There's nothing much to take
I'm an absolute beginner
And I'm absolutely sane

As long as we're together
The rest can go to Hell
I absolutely love you
But we're absolute beginners
With eyes completely open
But nervous all the same

If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean
Just like the films

There's no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It's absolutely true

Nothing much could happen
Nothing we can't shake
Oh we're absolute beginners
With nothing much at stake

As long as you're still smiling
There's nothing more I need
I absolutely love you
But we're absolute beginners
But if my love is your love
We're certain to succeed

If our love song
Could fly over mountains
Sail over heartaches
Just like the films

There's no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It's absolutely true


As Três Jóias... versão brasileira!


"Buda é o Cara,
Dharma é a Parada
e Sangha é a Galera!"

(por Alexandre,
praticante de Einin-Ji, Sangha Zen JB)


Imagem:
Gankyil, The Wheel of Joy (fonte: Wikipedia)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Natureza de Buda


Se você pensa que é um Buda,
você está enganado.
Se você pensa que não é um Buda,
você também está enganado.
(Sei In)


Lembro-me claramente de um teishô proferido por Mestre Tokuda no qual ele dizia que quando nos sentamos em zazen somos Buda. Fácil assim? - pensei eu na minha ignorância. Mas, para minha sorte e por sua imensa compaixão, Mestre Tokuda explicou, com aquele estilo direto e bem humorado típico dos mestres zen. Ele disse mais ou menos assim: "Se você imitar um ladrão, você vai fazer o que o ladrão faz, que é roubar. Então naquele momento você é um ladrão, mesmo que diga que não é. Do mesmo modo, quando você senta em zazen está imitando o Buda, fazendo o mesmo que o Buda faz. Então nesse momento você é o Buda!".
Essa fala de Mestre Tokuda me marcou muito, tornou-se uma espécie de koan para mim e toda vez que sento para meditar, ela me volta à mente. Sinto um misto de espanto e esperança nesta afirmação. Nossa cultura nos ensina que somos seres inferiores, pecadores desde o nascimento. É muito difícil para nós acreditar que temos a mesma natureza de todos os Budas e Bodisatvas! Mas os mestres têm esse dom de transmitir os ensinamentos de forma clara para que nossas mentes obscurecidas possam captar alguma coisa, mesmo que num nível muito sutil. Acho que foi isso que se deu comigo. Mesmo desconfiando um pouco daquela frase tão contundente, ela acabou sendo um grande motivador de minha prática.
Há algum tempo começamos a estudar no CEBB* "O Ornamento da Preciosa Liberação" de Gampopa, um grande mestre tibetano da linhagem Karma Kagyu, discípulo de Milarepa. No primeiro capítulo deste ensinamento, Gampopa nos fala sobre a natureza búdica de todos os seres sencientes como sendo o potencial para a iluminação. Ele utiliza como comparação três exemplos, "a prata que se encontra na pepita, o óleo na semente de mostarda, e a manteiga que se encontra no leite. Da pepita de prata podemos extrair prata; da semente de mostarda podemos produzir óleo; e do leite, podemos produzir manteiga. Do mesmo modo, seres sencientes podem se tornar budas".
Quando ouvimos estes ensinamentos, tanto na fala de Mestre Tokuda que é um mestre vivo contemporâneo, quanto na de Gampopa que viveu entre os séculos XI e XII, podemos perceber o caráter atemporal e extremamente pragmático do budismo.
Lama Padma Samtem, outro grande mestre vivo do budismo tibetano, que além de ser nosso contemporâneo é também nosso conterrâneo, demonstra esse caráter pragmático e simples do budismo quando nos fala sobre a perda do reconhecimento de nossa Natureza de Buda e como voltar a enxergá-la: "A doença é o não reconhecimento de nossa natureza. O sintoma é o sofrimento cíclico que toca a todos. O budismo pode ser apresentado como um remédio para tratar a perda do reconhecimento de nossa natureza ilimitada. O reconhecimento da natureza ilimitada produz a superação de todas as prisões e carmas, nada mais é necessário". Simples assim? Pois é, os mestres têm essa compaixão de tornar simples e até óbvio aquilo que temos tanta dificuldade de enxergar, mas que está bem diante do nosso nariz.
Mestre Eihei Dogen, fundador da linhagem Soto Zen no Japão, já no início de sua jornada rumo à liberação se perguntava: " Se todos os seres já nascem com a Natureza de Buda, por que então é preciso praticar?". Este era o seu koan e ele o realizou plenamente atingindo a completa iluminação e deixando instruções de prática que são seguidas até hoje.
Como podemos ver, todos os mestres das diferentes linhagens budistas mesmo nos deixando ensinamentos preciosos que brotam de sua profunda compaixão, nos incitam à prática diligente. É como praticar exercícios físicos. Podemos ler sobre o assunto, escutar palestras e até entender num nível intelectual que eles fazem bem à saúde e podem nos deixar com uma aparência mais harmônica, mas só vamos sentir os resultados se efetivamente praticarmos, realizando o potencial de saúde de nosso corpo.
Os ensinamentos devem ser praticados! Não para nos transformarmos em algo que não somos ou alcançar algum estado extraordinário com poderes sobrenaturais, mas apenas para tornarmos a manifestar plenamente aquilo que sempre fomos desde tempos sem princípio. Assim como o carvão precisa de condições específicas de temperatura e pressão para se manifestar como diamante, precisamos da prática dos ensinamentos para nos manifestarmos como budas. Quando sentamos em meditação e quando praticamos virtudes podemos ir pouco a pouco dissipando as nuvens que encobrem o sol brilhante de nossa verdadeira natureza.
Aquele abraço e boa prática!

*Centro de Estudos Budistas Bodisatva - Orientador: Lama Padma Samten.